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Foto: Ariel Martini/Rec-Beat

A segunda noite do Rec-Beat 20 Anos começou com força e energia, sem arrodeio, com o show do Matalanamão. O quarteto punk do Alto José do Pinho transformou, com sua música, a frente do palco em uma constante roda punk, desse o primeiro até o acorde final.

O grupo relembrou sucessos antigos e bem conhecidos da plateia que cantava em coro. Dentre eles, “Use camisinha” (que abriu o show) e “Peitinhos”. Houve ainda as músicas novas, já gravadas para o novo CD do Matala que deve ser lançado nos próximos meses – uma delas homenageia a musa do quarteto, segundo o vocalista, Adilson Ronrona, a atriz norte-americana Sharon Stone.

(Foto: Flora Pimentel/Rec-Beat)

(Foto: Flora Pimentel/Rec-Beat)

Após mais de 20 anos de formação de banda, as letras escrachadas, as brincadeiras com o público e a energia no palco não envelheceu um verso. Foi sob muitos aplausos e gritos que o Matalanamão se despediu do Rec-Beat, fazendo por mais uma edição parte da história do festival.

Entre os intervalos dos shows, o pernambucano DJ Soma animava o público. E durante as apresentações, a Vj Milena Sá integrava filmagens pessoais, trechos de documentários, filmes e clipes ao som de cada banda.

Cerca de um pouco mais de uma hora depois do início da apresentação de Matala, o punk deu lugar à psicodelia nordestina de Tagore. O pernambucano tocou com sua banda homônima pela primeira vez em sua terra natal – após rodar o Sul e Sudeste do país os últimos meses – seu primeiro álbum, “Movido a vapor”.

O disco traz fortes referências do Udigrudi pernambucano, referenciando de maneira moderna e atual o movimento e artistas como Alceu Valença no início de sua carreira e Ave Sangria – cuja versão de “Dois navegantes” agradou. Foi muito rock e xaxado ecoando no Rec-Beat e colocando todos para dançar.

A terceira atração da noite foi Dorit Chrysler. Sozinha com seu teremim (instrumento eletrônico que emite sons a partir das oscilações de suas mãos) e seu computador, ela hipnotizou e encantou a todos.

(Foto: Flora Pimentel/Rec-Beat)

(Foto: Flora Pimentel/Rec-Beat)

A brincadeira entre sons agudíssimos do teremim e batidas eletrônicas graves vindas de seu laptop casaram perfeitamente com a bela e límpida voz da austríaca. Como se estivesse em transe por momentos, Dorit mostrou que, além de ótima compositora e instrumentista, tem também a interpretação como uma de suas maiores características. Houve ainda uma exótica e bem sucedida versão do clássico “Besame mucho”. Entre muitos “obrigadas” proferidos charmosamente com sotaque, Dorit encerrou sua apresentação para a calorosa plateia.

A mistura de hip-hop, ritmos latinos dançantes e música eletrônica do Dengue Dengue Dengue! tomou conta do Cais um pouco antes das 23 horas. E pelos próximos cinquenta minutos, a dupla peruana colocou todo mundo para bailar com sua espécie de lambada eletrônica.

Os DJs e produtores Felipe Salmon e Rafael Pereira desembarcaram no Recife com a VJ Sixta. As projeções multicoloridas, por vezes frenéticas e sempre psicodélicas, estavam perfeitamente integradas ao setlist da dupla. O Rec-Beat se transformou num enorme dancefloor, numa grande festa e captou por inteiro o espírito de descontração e alegria coletiva do Carnaval.

(Foto: Ariel Martini/Rec-Beat)

(Foto: Ariel Martini/Rec-Beat)

Antes mesmo de começar a tocar, o Man or Astro-Man? já havia contagiado o Cais da Alfândega com sua atmosfera futurística. As roupas – ou melhor, os trajes quase espaciais – dos cinco integrantes parecem ter sido feitos sob medidas para combinar com as melodias de surf rock – uma mescla de punk com surf music – da banda norte-americana.

Foi um show bastante especial para eles: além de fazer 16 anos desde a última vez em que estiveram no Recife (e a formação então não era totalmente a mesma), foi também o último desta turnê. E por esse motivo, o vocalista e guitarrista Star Crunch, declamou eu iriam quebrar tudo aquela noite. Não apenas metaforicamente, pois ao fim da apresentação ele jogou sua guitarra, levando ainda mais a plateia à loucura.

O show todo, aliás, foi enérgico e instigante. Todos os cinco músicos brincaram entre si e com o público, agradecendo pela presença de todos e por poderem estar mais uma vez no Brasil. No repertório, músicas mais antigas, como “Spferic waves”, e outras do disco mais recente, “Defcon 5…4…3….2…1”.

(Foto: Ariel Martini/Rec-Beat)

(Foto: Ariel Martini/Rec-Beat)

E para encerrar a noite, a dupla de Djs Analog Africa, não deixaram a animação do Cais lotado cair. Com seu set formado por raridades da música africana e latina das décadas de 1960 e 70, os alemães Sammy Bem Redjeb e Déni Shain tocaram pela primeira vez no festival. A fórmula foi aprovada com muita dança pelo público. Assim encerrou a segunda noite do Rec-Beat. Com punk rock pernambucano, psicodelia nordestina, experimentalismo no teremim, eletrônica com música latina, surf rock e ritmos africanos, numa grande celebração musical.

Acompanhe a cobertura em fotos do Festival: https://www.flickr.com/photos/recbeatfestival