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(Foto: Ariel Martini/Rec-Beat)

O início da terceira noite do Rec-Beat 20 Anos já anunciava como seria até o final: intensa e enérgica em todos seus shows. O festival conta com o patrocínio da Prefeitura do Recife e apoio do Governo do Estado de Pernambuco.

Quem abriu a maratona de shows da segunda (16) foram os sergipanos da Coutto Orchestra. Eles trouxeram suas dançantes e contagiantes mesclas instrumentais. No palco, sons instrumentos mais tradicionais – como sanfona, trompete e bateria – se misturavam com os do teremim, sintetizadores e a também samplers. Os músicos dançaram, pularam a instigaram o público durante toda a apresentação.

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Coutto Orchestra (Foto: Ariel Martini/Rec-Beat)

Além de suas canções autorais, a Coutto tocou também uma composição dos gaúchos do Projeto CCOMA e reverenciaram o mestre Luiz Gonzaga ao tocar uma moderna versão de “Pagode russo”.

Entre os intervalos dos shows, o pernambucano Dj Vinicius Leso animava o público. E durante as apresentações, a Vj Milena Sá integrava filmagens pessoais, trechos de documentários, filmes e clipes ao som de cada banda.

Em seguida, às 21h, com elegância e uma atitude digna de um artista pop dos anos 1980, foi a vez de Thiago Pethit. O paulistano apresentou, pela primeira vez no Recife, o show do disco “Rock’n’roll sugar darling”. Ele abriu o show com a faixa-título e fez todos cantarem em coro “doce como açúcar, explode na sua boca”. Quando tirou sua jaqueta prata brilhosa, os gritos da plateia confirmaram ao vivo o que as músicas do novo álbum e os clipes vinham demonstrando: o lado mais erótico e ousado do paulistano.

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Thiago Pethit (Foto: Flora Pimentel/Recbeat)

Pethit ainda se aventurou no psandeiro e chamou seu disco de rock’n’roll safado. “É um prazer inenarrável estar aqui hoje. O Recife é a cidade perfeita para tocar um disco de rock’n’roll safado porque é uma cidade..que tem muito rock’n’roll”, disse. Ele demonstrou ao longo de sua apresentação, além de uma ótima presença de palco e sintonia com os fãs, sua grande extensão vocal, passando de graves a agudos afinadíssimos em segundos. Thiago se despediu do Rec-Beat sob aplausos calorosos da plateia.

Quem sucedeu à mistura de grunge, pop e rockabilly de Pehit foi o percussionista pernambucano Jam da Silva. O show foi o de lançamento de seu segundo álbum, “Nord”. Ele mostrou que a cuíca funciona, sim, muito bem longe do samba convencional, e que uma voz doce se alia perfeitamente a percussões mais intensas.

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Jam da Silva, participação da francesa Lisa Papineau. (foto: Ariel Martini/Rec-Beat)

Além das canções do disco, Jam presenteou o público com a linda “Samba devagar”, do primeiro disco, e com a participação especial da cantora canadense Lisa Papineau. Juntos, ele tocaram “Burn the night”(parceria já presente em “Nord”) e mais outras duas músicas. A linda voz de Lisa e sua performance visceral agradaram o público local e fecharam belamente a apresentação.

Na sequencia, foi a vez do legítimo blues norte-americano tomar conta do festival. O garoto-prodígio Marquise Knox mostrou com exímio seu talento na guitarra, no vocal e também tocando gaita. Ele incendiou o Cais da Alfândega que, lotado, aclamou o músico do início ao fim do show. Com apenas 23 anos, ele já é considerado o sucessor de BB King – para quem já abriu um show quando tinha apenas 17 anos.

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Marquise Knox (Foto: Flora Pimentel/Rec-Beat)

Marquise também desceu para a plateia – sem jamais soltar sua gaita – e cumprimentou os sortudos que se encontravam próximo ao palco. Poucas músicas depois, outra surpresa: ele sentou na beirada do palco e se entregou a um transcendente solo com a guitarra deitada em seu colo. Knox comprovou mais uma vez que o Rec-Beat é palco de celebração de qualquer gênero musical.

Já perto de 1h, os garotos da Mombojó mostraram a força do pós-mangue e fizeram um show relembrando sucessos dos quase 15 anos de banda. “Faaca”, “O céu, o sol e o mar”, “Casa caiada” e “Justamente” foram algumas das músicas que foram cantadas em alto e bom coro pelo imenso público. O quinteto, a caráter no clima carnavalesco, se transformou em esqueleto, diabo, marinheiro zumbi, papangu e uma espécie de bailarina ativista.

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Mombojó (Foto: Ariel Martini/Rec-Beat)

Na guitarra de Missionário José, um adesivo improvisado do Ocupe Estelita. E no telão, frases de apoio ao movimento e conta a verticalização da cidade foram aclamadas pela plateia.

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Mombojó, participação de Mano Chao (Foto: Ariel Martini/Rec-Beat)

O Mombojó também havia preparado uma grande surpresa para seus fãs: a participação especial do cantor e músico franco-espanhol Manu Chao. A canção “Bienvenida a Tijuana” foi a primeira cantada pelo convidado. Foi em clima de apoteose que o show se encerrou por volta das 2h15.

Quem fechou a terceira noite do Rec-Beat 20 Anos foi o dj carioca Omulu. Ele trouxe seu famoso “brega bass”, mistura de tecnobrega com batidas de sons graves e deixou o Cais aceso e dançante até de madrugada.

Acompanhe a cobertura em fotos do Festival: https://www.flickr.com/photos/recbeatfestival